Nota para mim
E eu que mergulhei tão fundo em mim, que me perdi. Que já não tenho certeza sobre o que sou, o que quero ou o que tenho. Tenho medo de me tornar algo que nunca quis mas que por ser tão intensa, acabei sumindo de mim. Eu li muito, meditei muito, dancei muito, que esse muito não fez nada. Não sinto meus pés quando os toco no chão, não sinto meus olhos fecharem por prazer ou por amor. Tenho receio de não saber o que é amar, o que é sonhar, o que é se expressar. Eu me prendi tanto em mim, que não sei quem pode me soltar, quem pode me salvar além de mim mesma.
Quem pode dizer: “Tá tudo bem" quando nada estiver indo bem, quem pode me abraçar quando eu quiser chorar. Eu tenho medo de me enxergar, de ver o que estou sendo, o que me tornei. Medo de cair num limbo tão profundo, que nem poderei me salvar nas minhas imaginações lúdicas e completamente fora da caixa. Eu venho aqui e escrevo e nem lágrimas escorrem, nem um sorriso se esboça, nem uma esperança se aflora.
Eu já não sei o que posso fazer. Tenho medo de mim. Tenho receio por mim. Sinto falta de mim. Sinto falta de você. De nós. De ser inteira. De sermos dois, lado a lado. De mim, de você, de nós. De mim, mais de mim.
Eu estou tapando buraco com ar, tô me enchendo de palavras superficiais. Pra ver se levanto, recupero, regenero, pra ver se sinto algo, mesmo que seja negativo. Tô tentando subir a superfície com o pouco de energia que tenho. Tentando nadar antes de me afogar, de mergulhar novamente em mim. Tentando antes de me entregar, de me render...
Mas eu preciso confessar que a superfície às vezes não é tão bonita quanto o fundo do meu mar.
Julia Strauss
Quem pode dizer: “Tá tudo bem" quando nada estiver indo bem, quem pode me abraçar quando eu quiser chorar. Eu tenho medo de me enxergar, de ver o que estou sendo, o que me tornei. Medo de cair num limbo tão profundo, que nem poderei me salvar nas minhas imaginações lúdicas e completamente fora da caixa. Eu venho aqui e escrevo e nem lágrimas escorrem, nem um sorriso se esboça, nem uma esperança se aflora.
Eu já não sei o que posso fazer. Tenho medo de mim. Tenho receio por mim. Sinto falta de mim. Sinto falta de você. De nós. De ser inteira. De sermos dois, lado a lado. De mim, de você, de nós. De mim, mais de mim.
Eu estou tapando buraco com ar, tô me enchendo de palavras superficiais. Pra ver se levanto, recupero, regenero, pra ver se sinto algo, mesmo que seja negativo. Tô tentando subir a superfície com o pouco de energia que tenho. Tentando nadar antes de me afogar, de mergulhar novamente em mim. Tentando antes de me entregar, de me render...
Mas eu preciso confessar que a superfície às vezes não é tão bonita quanto o fundo do meu mar.
Julia Strauss
Comentários
Postar um comentário